quarta-feira, 24 de novembro de 2010

10 estratégias de manipulação da mídia - Noam Chomsky

Continuando a luta contra a manipulação midiática e pela democratização das informações postamos aqui um link para o Atabaqueblog que publicou uma interessante análise de Noam Chomsky, extremamente pertinente e provocadora.
Atabaqueblog: 10 estratégias de manipulação da mídia - Noam Chomsky

As estratégias foram retiradas do site do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, acesse aí também:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Já decidi, Voto Dilma 13

É uma decisão pautada na percepção das mudanças ocorridas no projeto de Estado encaminhadas no governo do PT. Eu prefiro este projeto, mais democrático, mais sensível às demandas populares e compromissado com a queda da pobreza e distribuição de renda, além é claro e principalmente pelo posicionamento quanto à educação em termos de recursos e políticas públicas para a área.
Compare os projetos no quadro abaixo:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Execução ou legítima defesa?

Mais um e-mail que gera um post. Como andava muito atarefado tinha dado um tempo, mas hoje ao receber este e-mail não podia deixar de me manifestar.
A mensagem solicitava para assistir ao vídeo abaixo duas vezes: se quiserdes faça-o.
Na seqüência vem a explicação do fato registrado:
"O cara estava se rendendo, abaixando o fuzil e o policial cruelmente o matou. Se você pensou assim, está redondamente equivocado. Preste bem atenção, assista novamente ao vídeo!!!Uma realidade que poucos conhecem, a não ser aqueles que efetivamente estão nas ruas e, preparados, sabem que em um cenário de confronto tudo pode acontecer. Tenho certeza que a maioria de vocês pensou que foi execução e não legítima defesa. O cara tava de fuzil 7,62, se rendeu e ...Policiais ordenam ao bandido a colocar sua arma no chão e parece que quando ele está cumprindo ... TAH! TAH! TAH!  3 tiros!!!! Quer saber como é trabalhar nas ruas? Preste bastante atenção: ao mesmo tempo que o meliante abaixa o fuzil com sua mão esquerda, com a direita ele saca uma pistola da cintura, e já estava quase pronto para atirar em direção ao policial (perceba que ele cai ao chão com a arma já empunhada). (...) Criticar é fácil, fazer melhor é para poucos."
Bom, poderíamos fazer uma análise sociológica e histórica do fato, ou desmontar a argumentação dentro de sua própria contradição, mas não creio ser de grande valia, vou usar a lógica da relação entre generalização e singularidade, algo nada científico, porém, intuitivo. Interessante, quer dizer que esta situação singular do vídeo deve ser generalizada? Pelo mesmo motivo que a mensagem foi encaminhada - chamar a atenção para a crítica que generaliza e demoniza o trabalho da polícia - ela também deve ser criticada.
Certamaente não devemos generalizar a ação da polícia, porém, os casos em que o MP (http://www.mp.go.gov.br/portalweb/conteudo.jsp?page=1&base=1&conteudo=noticia/bf66bab20a66639cbed62e44badfb9f8.html) as corregedorias e a Assembléia Legislativa (não é EUA http://www.820am.com.br/conteudo.php?id=2253&categoria=noticias) estão investigando, são casos em que as circunstâncias e as evidências apontam para execuções: tiro nas costas ou na cabeça de cima para baixo, pessoas com sinais de espancamento e imobilização.
As críticas que eu em específico faço são nestes casos, e continuarei fazendo, pois sou eu quem contribuo para o pagamento dos salários dos servidores públicos (e não de justiceiros) e em contrapartida quero um bom serviço prestado e não barbarização.
Particularmente acredito que esta é uma crítica legítima e não uma defesa de bandidos, que não precisam de ninguém para defende-los já que têm advogados muito bem pagos.
Outro elemento que deve vir à tona é a discussão sobre o foro privilegiado que contribui para a impunidade em nosso país. Em suma o importante é construir outro modelo de segurança pública, mas infelizmente os interesses em manter as coisas como estão são fortes o bastante para conter as reformas, mas apesar disso o movimento segue:
http://www2.forumseguranca.org.br/node/22856
http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1503:1o-conseg-propoe-novo-modelo-de-seguranca-publica&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Brasil e os Agrotóxicos, uma história de amor com final trágico


Um post do site do MST me chamou a atenção para algo que a muito tem me preocupado, o uso indiscriminado e criminoso do agrotóxicos nos alimentos no Brasil.

Neste link uma pequena história dos agrotóxicos no mundo: Una incompleta y envenenada Historia � Palabre-ando

Veja aqui, como "o mercado" vê a liderança do Brasil no uso de agrotóxicos: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090807/not_imp414820,0.php

Por que o Brasil é o destino de agrotóxicos banidos no exterior? http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=2620734


Já existe, porém, uma Rede Brasileira de Combate aos Agrotóxicos: http://www.aba-agroecologia.org.br/RBCA/

Bom, mas este é o mundo segundo a Monsanto: http://www.youtube.com/view_play_list?p=3865AE9DF393B017

Beleza e miséria humanas

Um ensaio fotográfico magnífico que nos traz um belo retrato da diversidade humana entrelaçada à desigualdade. Reparem que os hindus fazem as oferendas e os não-hidus recolhem-nas para uso doméstico (alimentação) e talvez comercial.

Festa do povo Tengger em Java - Zoom - Fotos marcantes do Brasil e do Mundo – iG

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Da série: jornalismo mau caráter

Não preciso de palavras para definir o que temos aqui, apreciem a capa do Jornal Opção de 22 a 28 de agosto de 2010. O destaque da capa vem chamar a atenção do leitor para a capacidade do senador, candidato a governador, em elaborar uma saída técnica e não eleitoreira ou politiqueira para a bancarrota da CELG. 

O que me estranha é que se a CELG chegou onde chegou - no fundo do poço - a responsabilidade também é do ex-governador. Bom, mas em época de campanha baixa tanto santo e a máquina de produção de demagogia beira ao absurdo. Ainda bem que temos um povo esclarecido e consciente para perceber o engôdo que está sendo oferecido a ele. E com a ajuda da boa educação realizada pelas nossas excelentes escolas estaduais e das informações esclarecedoras de uma mídia independente teremos um pleito justo e democrático.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tem dias que a canalha não pode esconder a verdade

Será que uma análise como essas passaria na rede aberta? Na Globonews que é um canal fechado, que tem um alcance menor pode, ainda assim, é um discurso que a Globo precisa fazer para dizer lá na frente, olha, no Jornal Nacional aconteceu aquela camaradagem com Serra, mas no programa Entre Aspas na Globonews criticamos o PSDB. 
Essa mídia brasileira eu vou dizer, é algo assim canalha...


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pequenos gestos na moralização da política brasileira


É com pesar que vemos mais um processo eleitoral ocorrer e as mesmas prática espúrias ocorrendo. E o pior ver a eleição de candidatos que são notoriamente corruptos. Casos como os de Maluf, Collor, Roriz, entre outros muitas vezes já não estarrecem ninguém.
Bom, mas creio que podemos avançar lapidando nossa democracia. O MPF tem realizado através das Procuradorias Regionais Eleitorais uma ação de incentivo educativo rumo a uma moralização da prática eleitoral. Visando contribuir com esta ação, publico aqui os links e as formas de denúncia para disseminar a emergência de novas práticas que estão em nossas mãos.

Como denunciar



Podem ser noticiadas ao Ministério Público Eleitoral irregularidades que ocorrem no período das eleições ou fora dele, em âmbito nacional, estadual e municipal. Ao identificar um ato de corrupção eleitoral, obtenha provas – podem ser testemunhas, fotos, vídeos, áudios, objetos, documentos e outras – e informe diretamente aos procuradores regionais Eleitorais ou aos promotores Eleitorais.

Quando as eleições são estaduais e nacionais, o julgamento cabe aos Tribunais Regionais Eleitorais e ao Tribunal Superior Eleitoral. A exceção é a propaganda eleitoral, cujas irregularidades são averiguadas pela Comissão de Fiscalização de Propaganda Eleitoral e julgadas, em primeira instância, pelos juízes auxiliares.

Clique aqui e faça sua denúncia





segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lutas.doc

Documentário realizado para a TVBrasil que ajuda a desmontar a idéia do Brasil como país cordial, discutindo a violência intrínseca ao processo de formação do país, assim como sua permanência na atualidade. A direção é de Daniel Augusto e Luiz Bolognesi.
Episódio 1:

Episódio 2: 




quinta-feira, 17 de junho de 2010

Estatuto da Igualdade Racial Domesticados ou demônios à solta

Ontem, dia 16 de junho foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial
Agência Senado - 16/06/2010 - Senado aprova Estatuto da Igualdade Racial, mas retira cotas para negros nas escolas
Segue aqui o link para o blog Memorial Lélia Gonzales http://leliagonzalez-informa.blogspot.com/2009/12/estatuto-da-igualdade-racial.html 
Ao acessá-lo você irá se deparar com o canto/análise de Edna Roland. Edna Roland foi a relatora da III Conferência Mundial contra o Racismo realizada em Durban na África do Sul em 2001. Apesar do texto ser de dezembro de 2009, sintetiza bem como o acordo para a aprovação do Estatuto o domesticou, além do mais é uma possibilidade interessante de avaliar a atuação do Senador Demóstenes Torres, do Democratas de Goiás, como relator final do Estatuto na Comissão de Constituição e Justiça.

E por falar em Estatuto da Igualdade Racial e Senador de Goiás, porquê será que a imprensa de Goiás não nos informou sobre este fato muito sério que ocorre no Brasil e tem a cidade de Rio Verde em Goiás como protagonista do primeiro lugar em homicídios de jovens negros? Veja abaixo:
Níveis alarmantes de homicídios de jovens no Brasil


Um relatório publicado no Brasil revela que cinco mil adolescentes são assassinados, todos os anos, nas cidades e vilas do país, a maioria dos quais negros pobres e com pouca instrução.
O relatório foi publicado pelo Laboratório de Análises da Universidade Estatal do Rio de Janeiro, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, e o Observatório das Favelas.
Segundo a subsecretária brasileira para os direitos humanos, Carmen Oliveira, o índice de homicídios entre os jovens brasileiros é 30 vezes superior ao dos países europeus e as vitimas no Brasil têm, na sua maior parte, ligações com o comércio da droga, mais como consumidores do que traficantes.
O estudo, inédito, aponta a cidade de Foz do Iguaçu como o município brasileiro com o maior Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) - que mede a probabilidade de um adolescente ser assassinado.
De acordo com o levantamento, o IHA de Foz do Iguaçu é de 9,7 - ou seja, de cada mil adolescentes, 9,7 serão vítimas de homicídio na cidade antes de completar os 19 anos.

Foram recolhidass informações sobre as causas de mortes entre jovens de 12 a 19 anos de idade em 267 municípios, todos com mais de 100 mil habitantes.





O levantamento estima que 33 mil e 504 adolescentes brasileiros serão assassinados num período de sete anos, que vai de 2006 a 2013.
A estimativa foi feita com base em dados de 2006, considerando-se a hipótese de que as circunstâncias observadas naquele ano sejam mantidas.
Alerta
O estudo apresentado nesta terça-feira é o primeiro a estabelecer o IHA no Brasil. O valor médio do índice de adolescentes assassinados no país é de 2,03.
"Esta cifra por si só deveria ser suficiente para transmitir a gravidade do fenómeno no Brasil, particularmente se lembrarmos que o homicídio contra adolescentes deveria ser, em princípio, um facto extremamente raro em qualquer sociedade", diz o estudo.
Depois da Foz do Iguaçu (PR), as cidades com pior índice são Governador Valadares (MG) - com IHA de 8,5 - e Cariacica (ES) - com 7,3.
O município do Rio de Janeiro aparece na 21ª posição na lista, com IHA de 4,9, enquanto São Paulo fica em 151º lugar, com um índice de 1,4.
Segundo o professor da Uerf, Ignácio Cano, responsável pelo estudo, como as primeiras estatísticas só foram divulgadas nesta terça-feira, "ainda não é possível compará-la com números anteriores".
"Mas estamos a falar de números significativos, já que o ideal seria um índice próximo de zero", acrescentou.
Para chegar à estimativa de mortes, foram utilizados principalmente os dados do Datasus (Ministério da Saúde) e do IBGE.
Segundo Cano, o objetivo é não apenas tornar a pesquisa periódica, mas também sugeri-la a outros países da América Latina. "Aí sim, teremos uma base interessante de comparação", afirmou.
Negros
O estudo também indica que, entre os homens, a probabilidade de uma morte por homicídio é 12 vezes maior do que entre as mulheres.
Já a probabilidade de que um negro seja assassinado é duas vezes maior do que um branco, de acordo com o levantamento. A maior diferença foi constatada na cidade de Rio Verde (GO), onde a chance de um adolescente negro ser morto é 40 vezes maior.
Também foi calculada a probabilidade de um adolescente ser morto por uma arma de fogo. Em todo o Brasil, essa chance é três vezes maior, em comparação com outras armas.
Os homicídios foram responsáveis por 46% das mortes entre adolescentes registadas em 2006. As mortes naturais somaram 26% e os acidentes, 22%. Os números apontam ainda que 3% dos adolescentes mortos se suicidaram e outros 3% morreram de causas "indefinidas".

22 Julho, 2009 - Publicado às 01:47 GMT
Fabrícia Peixoto - Correspondente da BBC Brasil em Brasília

domingo, 6 de junho de 2010

Cultura em movimento por outro imaginário

No melhor espírito da construção de um imaginário descolonizado, da produção de um "outro pensamento" como sugere Walter Mignolo em Histórias locais, projetos globais, o Blog Maria Frô nos brinda com um excelente artigo sobre a África, Cultura popular e a histórica fixação de estereótipos e estigmas com relação à culturas e populações não-brancas. O trecho abaixo do artigo (Eu, Regina Casé, Chimamanda Adichie e Nossas Experiências no continente africano) é conclusivo:
Mas o que parou no tempo foram os nossos preconceitos, no sentido que criamos uma imagem cristalizada sobre o outro, seja este outro um povo que vive distante de nós, ou um grupo social que vive lado a lado conosco, mas que não faz parte de nossa classe, etnia ou outra diferença que nos separa. 

Posto o vídeo da conferência dada por Regina Casé sobre seu trabalho na produção do program "Minha Periferia" para o TED (para saber sobre o projeto TED acesse: http://www.tedxsaopaulo.com.br/.
TEDxSP 2009 - Regina Casé from TEDxSP on Vimeo.



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Votos de José Serra na Constituinte de 1988



A prática como critério da verdade
Escrito por Leonardo Severo - 05/05/2010

Os votos de José Serra na Constituinte de 1988

Como a prática social continua sendo o único critério da verdade, fulminante e definitiva, a mídia venal pode repetir uma mentira à exaustão que não conseguirá transformá-la no que não é, não pode ser e nem será.
Os donos dos meios de comunicação podem gastar horas de enxurrada rádio-televisiva ou mares de tinta dos seus “grandes” jornais e revistas que não farão retornar a pedra já lançada ou a bobagem feita.
Para o bem da verdade, a classe trabalhadora e toda a sociedade devem saber como se comportaram os parlamentares, deputados federais e senadores, na Assembleia Constituinte de 1988, que entrou para a história como a Constituição Cidadã.
Abaixo, os votos dados pelo então deputado José Serra, apurados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) em seu livro estudo “Quem foi quem na Constituinte”, página 621.

OS VOTOS DE JOSÉ SERRA NA CONSTITUINTE

1) votou contra o monopólio nacional da distribuição do petróleo;
2) votou contra garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego;
3) votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas;
4) votou contra a implantação de Comissão de Fábrica nas indústrias;
5) negou seu voto pelo direito de greve;
6) negou seu voto pelo abono de férias de 1/3 do salário;
7) negou seu voto pelo aviso prévio proporcional;
8) negou seu voto pela estabilidade do dirigente sindical;
9) negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio;
10) negou seu voto pela garantia do salário mínimo real. 
Fonte: http://www.cut.org.br/content/view/20144/

Entrevista com Mano Brown - por Afropress

Uma das principais vozes do rap brasileiro fala sobre questões raciais, educação, polícia e política, vale a pena conferir:



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Reflexões sobre a educação

Recebi um e-mail de uma amiga que vinha com o seguinte título: "É Du Cassão" é a pura verdade, infelizmente!
E o seu conteúdo era este: 




 É mais ou menos assim que acontece e ainda complemento que a frase de uma aluna minha.Depois de ter que passar uma atividade  de consulta para complementar as péssimas notas da prova,a aluna do 3° ano do ensino médio vira para mim  e diz: "Professora a senhora não vai passar a resposta no quadro não? é que dá muita preguiça ter que procurar no livro.."
Tirando alguns "detalhes" do texto,é isso mesmo que está se passando...
(Escola Particular!)

O comentário acima era complemento ao este conteúdo abaixo que vinha encaminhado:

SOMOS TODOS "EDUCADORES", PRECISAMOS REFLETIR...     Se a Educação não tiver uma mudança radical...
As nossas crianças.... Sem comentários!!!!! A Evolução da Educação. Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas
Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes
de iniciar as aulas..

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$
20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavo s, para evitar receber ainda mais
moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina
registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se
convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos
enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem
entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi
assim:
1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual
a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00.Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não
precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com
que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a
professora provocou traumas na criança.

Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável.


“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?" 


Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!


Realmente precisamos demolir as escolas e produzir algo novo.




A idéia da matématica não é bem assim. Esquecemos de pensar o que se passa nestes anos da dita "evolução", massificação do ensino, desestrutura familiar, todos ao trabalho para garantir o sustento na cidade, a mesma cidade onde o choque cultural e social é imenso, além do mais, o bombardeio da TV: compre, consuma.
Com relação aos professores, estamos como o operário de Marx, alienados. Não conseguimos nos enxergar no trabalho produzido, até porque ele não faz sentido nem para o professor, muito menos para os alunos. O currículo é uma mula sem cabeça, desconhece, despreza a realidade de alunos e professores. Saber por saber não adianta. Além  do mais o preconceito, o racismo e a empáfia moral, a crença dos professores de possuirem valores melhores que de seus alunos, de se imaginarem melhores alunos no passado do que os seus alunos de hoje já é um grande problema a ser resolvido. Será que este professor foi tão genial, foi tão disciplinado? O depoimento de Bill contribui para pensar esta questão: http://www.youtube.com/watch?v=E1eFnDI7bOA 
(Vídeo encaminhado pela colega Elizete)

Dias atrás uma colega professora - trabalhamos na rede pública estadual em Aparecida de Goiânia - comentava orgulhosa que sua filha ficou o feriado fazendo tarefas da escola particular. Perguntei a ela: e porquê nossos alunos não têm tarefas? Respondeu: - porquê não fazem? É mais fácil acomodar do que transformar tal realidade, subestimamos nosso alunos, mais do que isso, reproduzimos o preconceito de que os filhos dos pobres que estão na rede pública não tem interesse nos estudos. Mas não conseguimos refletir sobre o sentido da educação para estes alunos. Tenho um aluno de 16 anos, no sétimo ano, tem dois empregos, um à noite, chega na aula dorme do início ao fim. O que fazer? Púni-lo? Dar um café? Ou mudar o conteúdo entediante, distante de sua vida? A escola não representa saídas possíveis para a realidade dura, desigual, e de falta, de lazer, de oportunidades, de sonhos. A maquinária capitalista projeta desejos materiais fugazes, por isso, uma vida vale menos do que um tênis Nike.

Sem envolver família, comunidade, empresas, não há educação possível. Sem o protagonismo dos alunos não há ambiente escolar pleno de possibilidades.
Aqui há um exemplo de que outra educação é possível: 
http://www.casadozezinho.org.br/index.php

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dossiê: Ciências Humanas e Música Popular no Brasil


Segue aqui o link (http://www.revistachronidas.com.br/arq/edicao5/RCA02N05.DEZ2009.pdf) para acesso a este dossiê temático da Revista Chrônidas: Ciências Humanas e Música Popular no Brasil. Esta é uma revista eletônica editada por alunos de História (Graduação e Pós) da Universidade Federal de Goiás. 
Neste dossiê saiu um artigo meu: "Rap é compromisso": música, esfera pública e lutas por reconhecimento na virada do milênio.
Pra quem se interessa, tenha uma boa leitura.

sábado, 13 de março de 2010

Pedofilia mulçumana?

Já a algum tempo circula pelas caixas de correio eletrônico uma mensagem denunciando o que eles chamam de pedofilia mulçumana. Um casamento de 450 casais, patrocinado pelo Hamas, onde homens entre 25 e 30 anos estariam casando com garotas com menos de 10 anos.
Uma das imagens que circulam junto com a mensagem é esta aqui:
Ao que me parece estamos ante uma questão de choque cultural ou de civilizações. Será que dá para julgarmos? Da mesma forma os mulçumanos também vêem aberrações em nossa cultura, como as roupas mínimas, a objetificação da mulher com seus corpos servindo para vender cerveja, carros, etc.


Ir além da condenação é importante, sobretudo para formadores de opinião, não acham?
Além do mais, será que são noivas mirins mesmo? Imagens não são tudo, pode ser outro evento e não casamento. Há ainda o que poderíamos chamar de cruzada evangélica contra os mulçumanos. Missionários travam batalhas na África e em vários países do globo para ganhar ou manter fiéis. E hoje a internet é um espaço para esta disputa. Os dois sites que são referência para tal notícia já confirmam o que suspeitei. www.thelastcrusade.org - site de protestantes dos EUA. www.deolhonamidia.org.br - site de judeus em português. A quem mais interessa difamar os mulçumanos? 
Prefiro ficar com Saramago:

Um terceiro deus
Creio que as teses de Huntington sobre o “choque de civilizações”, atacadas por uns e celebradas por outros aquando do seu aparecimento, mereceriam agora um estudo mais atento e menos apaixonado. Temo-nos habituado à ideia de que a cultura é uma espécie de panaceia universal e de que os intercâmbios culturais são o melhor caminho para a solução dos conflitos. Sou menos optimista. Creio que só uma manifesta e activa vontade de paz poderia abrir a porta a esse fluxo cultural multidireccional, sem ânimo de domínio de qualquer das suas partes. Essa vontade talvez exista por aí, mas não os meios para a concretizar. Cristianismo e islamismo continuam a comportar-se como inconciliáveis irmãos inimigos incapazes de chegar ao desejado pacto de não agressão que talvez trouxesse alguma paz ao mundo. Ora, já que inventámos Deus e Alá, com os desastrosos resultados conhecidos, a solução talvez estivesse em criar um terceiro deus com poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz. E que depois esse terceiro deus nos fizesse o favor de retirar-se do cenário onde se vem desenrolando a tragédia de um inventor, o homem, escravizado pela sua própria criação, deus. O mais provável, porém, é que isto não tenha remédio e que as civilizações continuem a chocar-se umas com as outras.
http://caderno.josesaramago.org/

quarta-feira, 10 de março de 2010

O perigo de uma única história



Nossas vidas, nossas culturas são compostas de muitas histórias sobrepostas. A escritora Chimamanda Adichie conta a história de como ela encontrou sua autêntica voz cultural - e adverte-nos que se ouvimos somente uma única história sobre uma outra pessoa ou país, corremos o risco de gerar grandes mal-entendidos. Fonte: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html


Observação: você pode inserir legendas, clicando em view subtitles e escolher português.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A mídia por Luiz Fernando Veríssimo

Continuando a reflexão sobre a mídia, posto esta entrevista de Veríssimo para Brasília Confidencial (http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=11017), mas retirada do Blog do Luís Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/08/a-midia-por-verissimo/)



Por Ayrton Centeno
Como Luis Fernando Veríssimo, 73 anos, arruma tempo para tanto trabalho não se sabe. O que se sabe é que são mais de 70 livros. E sem contar as antologias! Há de tudo: romances, novelas, quadrinhos, contos, crônicas, guias turísticos e até poesia. No final de 2009, chegou às livrarias Os Espiões, sua obra mais recente. No entanto, sua tarefa mais pesada não é essa, mas a de alimentar diariamente colunas nos jornais O Globo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora. Autor de uma frase cáustica sobre a imprensa – “Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data” – o saxofonista, cronista, romancista, quadrinista, contista e novelista fala aqui sobre mídia, governo Lula, sua situação entre os chamados formadores de opinião, decadência dos diários tradicionais, e-books, elites e eleições.
Brasília Confidencial – Hoje, no Brasil, a mídia enxerga um país totalmente diferente daquele que a maioria da população vê. Enquanto a grande imprensa, pessimista, trabalha sobre uma paleta de escândalos, a população, otimista, toca a sua vida de modo mais tranquilo. Que país o Sr. vê?
Luís Fernando Veríssimo – A imprensa cumpre o seu papel fiscalizador, mas não há duvida que, com algumas exceções, antipatiza com o Lula e com o PT. Acho que os historiadores do futuro terão dificuldade em entender o contraste entre essa quase-unânime reprovação do Lula pela grande imprensa e sua também descomunal aprovação popular. O que vai se desgastar com isto é a idéia da grande imprensa como formadora de opinião.
BC – A grande imprensa enaltece a diversidade de opiniões, mas, curiosamente, os principais jornais do Brasil têm a mesma opinião sobre os mesmos assuntos. Este pensamento único não compromete uma pluralidade de opiniões que a mídia costuma defender quando não está olhando para si própria?
LFV – O irônico é que hoje existem menos alternativas à imprensa “oficial” do que existia nos tempos da censura. Mas as alternativas existem, e o tal pensamento único não é imposto, mas decorre de uma identificação dos grandes grupos jornalísticos do país com alguns princípios, como o da economia de mercado, o governo mínimo, etc.
BC – O senhor defende na sua coluna a reforma agrária e questiona a criminalização dos movimentos sociais. Não se sente muito solitário na mídia tratando desses temas?
LFV – Meus palpites não são muito consequentes. Acho que me toleram como a um parente excêntrico.
BC– Todas as pesquisas indicam a queda da circulação dos grandes diários dentro e fora do Brasil. Com uma longa trajetória no jornalismo, como percebe esta queda persistente, que expressa também o afastamento de uma geração do hábito de ler jornais? E como acompanha o trânsito de boa parte do público para a internet?
LFV – Quem é viciado em jornal e revista como eu só pode lamentar que a era da letrinha impressa esteja chegando ao fim, como anunciam. Mas este é um preconceito como qualquer outro. Mesmo mudando o veículo ainda existirá o texto, e um autor. Vou começar a me preocupar quando o próprio computador começar a escrever.
BC – Atribui-se a um advogado famoso, dono de clientela de altíssimo poder aquisitivo, uma reação irada ao saber que seu cliente endinheirado fora preso: “O que é isso? No Brasil só vão presos os três Ps: preto, puta e pobre!”, reagiu indignado. Estamos no século 21, mas as elites parecem continuar no 19. Acredita que vá ver isto mudar?
LFV – As nossas elites não mudaram muito desde D. João VI. Vamos lhes dar mais um pouco de tempo.
BC – A atual política externa do Brasil, mais independente, colabora de alguma maneira para mudar este comportamento?
LFV – A política externa independente é uma das coisas positivas deste governo. Embora o pragmatismo excessivo possa levar a uma tolerância desnecessária com bandidos, às vezes.
BC – O escritor argentino Jorge Luís Borges dizia que a única notícia realmente nova em toda a sua vida foi a chegada do homem à Lua. O resto já tinha acontecido antes de uma ou outra forma. O que o surpreendeu, além disso? Borges tinha razão?
LFV – O sistema GPS. Finalmente, uma voz vinda do alto para guiar os nossos passos.
BC – Em que trabalha no momento ou pretende trabalhar? De outra parte, o que acha dos e-books?
LFV – Acabei de lançar um romance, chamado Os Espiões. Não tenho outro romance planejado no momento. Devem sair um livro para público juvenil, um de quadrinhos e um sobre futebol este ano, mas não sei bem quando. Quanto aos e-books, só vou aceitar quando tiverem cheiro de livro.
BC – Teremos eleições em 2010 e o governo Lula opera na proposta de um pleito plebiscitário – Nós x Eles – contrapondo os oito anos do PT contra os oito anos do PSDB. Se fosse fazer esta comparação o que diria?

LFV – De certo modo, este governo continuou o outro. E vou votar para que o próximo continue este. 

quarta-feira, 3 de março de 2010

Mídia, eleições e hipocrisia!

Retomando o debate e análise do oligopólio das comunicações no Brasil.
Segue artigo publicado pela agência Carta Maior, sobre o Fórum: Democracia e Liberdade de Expressão (este título já faz a gente rir da hipocrisia e desfaçatez). http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16414&boletim_id=652&componente_id=10882
Me fez lembrar do sequestrador do empresário Abílio Diniz usando a camisa do PT em 1989, dias antes das eleições. Ou ainda da Regina Duarte dizendo que tinha medo, além de uma mega matéria na Revista Época nas semanas que antecediam as eleições sobre Geraldo Alckimin e sua família.
Mas o desafio já foi lançado por Mino Carta: posicionem-se abertamente sobre quem apoiam na eleição presidencial. Somente a Revista Carta Capital se posicionou nas eleições passadas em apoio ao candidato Luis Inácio "Lula" da Silva.
Quanto ao meu posicionamento em relação à campanha presidencial, votarei em Marina Silva. 
Grande mídia organiza campanha contra candidatura de Dilma
Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.
Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.

Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.

A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.

“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.

A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.

“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.

O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.

“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.

“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.

O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.

Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.

“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (...) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.

O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.

“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.

Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.

Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.
“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.

“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.

“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.

Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.