sexta-feira, 23 de abril de 2010

Reflexões sobre a educação

Recebi um e-mail de uma amiga que vinha com o seguinte título: "É Du Cassão" é a pura verdade, infelizmente!
E o seu conteúdo era este: 




 É mais ou menos assim que acontece e ainda complemento que a frase de uma aluna minha.Depois de ter que passar uma atividade  de consulta para complementar as péssimas notas da prova,a aluna do 3° ano do ensino médio vira para mim  e diz: "Professora a senhora não vai passar a resposta no quadro não? é que dá muita preguiça ter que procurar no livro.."
Tirando alguns "detalhes" do texto,é isso mesmo que está se passando...
(Escola Particular!)

O comentário acima era complemento ao este conteúdo abaixo que vinha encaminhado:

SOMOS TODOS "EDUCADORES", PRECISAMOS REFLETIR...     Se a Educação não tiver uma mudança radical...
As nossas crianças.... Sem comentários!!!!! A Evolução da Educação. Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas
Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes
de iniciar as aulas..

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$
20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavo s, para evitar receber ainda mais
moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina
registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se
convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos
enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem
entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi
assim:
1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual
a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00.Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não
precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com
que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a
professora provocou traumas na criança.

Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável.


“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?" 


Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!


Realmente precisamos demolir as escolas e produzir algo novo.




A idéia da matématica não é bem assim. Esquecemos de pensar o que se passa nestes anos da dita "evolução", massificação do ensino, desestrutura familiar, todos ao trabalho para garantir o sustento na cidade, a mesma cidade onde o choque cultural e social é imenso, além do mais, o bombardeio da TV: compre, consuma.
Com relação aos professores, estamos como o operário de Marx, alienados. Não conseguimos nos enxergar no trabalho produzido, até porque ele não faz sentido nem para o professor, muito menos para os alunos. O currículo é uma mula sem cabeça, desconhece, despreza a realidade de alunos e professores. Saber por saber não adianta. Além  do mais o preconceito, o racismo e a empáfia moral, a crença dos professores de possuirem valores melhores que de seus alunos, de se imaginarem melhores alunos no passado do que os seus alunos de hoje já é um grande problema a ser resolvido. Será que este professor foi tão genial, foi tão disciplinado? O depoimento de Bill contribui para pensar esta questão: http://www.youtube.com/watch?v=E1eFnDI7bOA 
(Vídeo encaminhado pela colega Elizete)

Dias atrás uma colega professora - trabalhamos na rede pública estadual em Aparecida de Goiânia - comentava orgulhosa que sua filha ficou o feriado fazendo tarefas da escola particular. Perguntei a ela: e porquê nossos alunos não têm tarefas? Respondeu: - porquê não fazem? É mais fácil acomodar do que transformar tal realidade, subestimamos nosso alunos, mais do que isso, reproduzimos o preconceito de que os filhos dos pobres que estão na rede pública não tem interesse nos estudos. Mas não conseguimos refletir sobre o sentido da educação para estes alunos. Tenho um aluno de 16 anos, no sétimo ano, tem dois empregos, um à noite, chega na aula dorme do início ao fim. O que fazer? Púni-lo? Dar um café? Ou mudar o conteúdo entediante, distante de sua vida? A escola não representa saídas possíveis para a realidade dura, desigual, e de falta, de lazer, de oportunidades, de sonhos. A maquinária capitalista projeta desejos materiais fugazes, por isso, uma vida vale menos do que um tênis Nike.

Sem envolver família, comunidade, empresas, não há educação possível. Sem o protagonismo dos alunos não há ambiente escolar pleno de possibilidades.
Aqui há um exemplo de que outra educação é possível: 
http://www.casadozezinho.org.br/index.php