quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Execução ou legítima defesa?

Mais um e-mail que gera um post. Como andava muito atarefado tinha dado um tempo, mas hoje ao receber este e-mail não podia deixar de me manifestar.
A mensagem solicitava para assistir ao vídeo abaixo duas vezes: se quiserdes faça-o.
video
Na seqüência vem a explicação do fato registrado:
"O cara estava se rendendo, abaixando o fuzil e o policial cruelmente o matou. Se você pensou assim, está redondamente equivocado. Preste bem atenção, assista novamente ao vídeo!!!Uma realidade que poucos conhecem, a não ser aqueles que efetivamente estão nas ruas e, preparados, sabem que em um cenário de confronto tudo pode acontecer. Tenho certeza que a maioria de vocês pensou que foi execução e não legítima defesa. O cara tava de fuzil 7,62, se rendeu e ...Policiais ordenam ao bandido a colocar sua arma no chão e parece que quando ele está cumprindo ... TAH! TAH! TAH!  3 tiros!!!! Quer saber como é trabalhar nas ruas? Preste bastante atenção: ao mesmo tempo que o meliante abaixa o fuzil com sua mão esquerda, com a direita ele saca uma pistola da cintura, e já estava quase pronto para atirar em direção ao policial (perceba que ele cai ao chão com a arma já empunhada). (...) Criticar é fácil, fazer melhor é para poucos."
Bom, poderíamos fazer uma análise sociológica e histórica do fato, ou desmontar a argumentação dentro de sua própria contradição, mas não creio ser de grande valia, vou usar a lógica da relação entre generalização e singularidade, algo nada científico, porém, intuitivo. Interessante, quer dizer que esta situação singular do vídeo deve ser generalizada? Pelo mesmo motivo que a mensagem foi encaminhada - chamar a atenção para a crítica que generaliza e demoniza o trabalho da polícia - ela também deve ser criticada.
Certamaente não devemos generalizar a ação da polícia, porém, os casos em que o MP (http://www.mp.go.gov.br/portalweb/conteudo.jsp?page=1&base=1&conteudo=noticia/bf66bab20a66639cbed62e44badfb9f8.html) as corregedorias e a Assembléia Legislativa (não é EUA http://www.820am.com.br/conteudo.php?id=2253&categoria=noticias) estão investigando, são casos em que as circunstâncias e as evidências apontam para execuções: tiro nas costas ou na cabeça de cima para baixo, pessoas com sinais de espancamento e imobilização.
As críticas que eu em específico faço são nestes casos, e continuarei fazendo, pois sou eu quem contribuo para o pagamento dos salários dos servidores públicos (e não de justiceiros) e em contrapartida quero um bom serviço prestado e não barbarização.
Particularmente acredito que esta é uma crítica legítima e não uma defesa de bandidos, que não precisam de ninguém para defende-los já que têm advogados muito bem pagos.
Outro elemento que deve vir à tona é a discussão sobre o foro privilegiado que contribui para a impunidade em nosso país. Em suma o importante é construir outro modelo de segurança pública, mas infelizmente os interesses em manter as coisas como estão são fortes o bastante para conter as reformas, mas apesar disso o movimento segue:
http://www2.forumseguranca.org.br/node/22856
http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1503:1o-conseg-propoe-novo-modelo-de-seguranca-publica&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

Nenhum comentário:

Postar um comentário